GRANDE PRÊMIO DO CANADÁ DE 1977


Mosport, 9 de outubro de 1977


A corrida do Canadá foi a penúltima prova do campeonato mundial de pilotos.

Niki Lauda, por antecipação, era o campeão.

Para surpresa geral, Lauda não foi para o Canadá.

O comunicado oficial da Ferrari alegava indisposição estomacal.

Lauda, em entrevista, teria reclamado da demissão do chefe dos mecânicos da Ferrari.

Com a ausência de Lauda, a Ferrari disponibilizou um carro para Carlos Reutemann e outro para Gilles Villeneuve, estreando na equipe.

Falou-se, também, da falta de segurança do circuito de Mosport.

Mosport se despedia da fórmula 1.

A corrida do próximo ano seria disputada em Toronto.

Os pilotos consideravam Mosport como o pior circuito da fórmula 1.

Os treinos.

Confirmando a fama de pista insegura, Mosport presenciou um sério acidente no primeiro dia de treinos.

O piloto inglês Ian Ashley, ao volante de um Hesketh, vinha em plena reta quando o carro decolou, virou no ar e caiu num painel publicitário e numa torre de televisão.



O socorro foi péssimo.

Ashley ficou mais de 30 minutos preso as ferragens.

Ele teve fraturas nas pernas e nos braços.

A grande surpresa do treino foi a não classificação de Jean Pierre Jabouille.



Seu Renault Turbo ficou a 8 segundos do pole position, devido a problemas no motor.


Emerson Fittipaldi sofreu para classificar o F5 em 19o lugar no grid.

Um dos contratempos dele foi um motor explodir em pleno treino.

O outro brasileiro foi pior.



Alex Dias Ribeiro, pilotando um March muito ruim, ficou com 0 23o tempo.

Mário Andretti, com o magnífico Lotus MK3, humilhou os adversários.


A diferença de performance era enorme.

Andretti fez a pole com um pé nas costas.


A outra Lotus, pilotada por Gunnar Nilsson, conquistou a quarta posição no grid.

James Hunt, com McLaren, ficou com o segundo melhor tempo, enquanto seu companheiro de time, Jochen Mass, marcava o quinto tempo.

A Tyrrell classificou os dos P34 em terceiro e sexto lugar, com Peterson e Depailler, respectivamente.

A equipe Shadow estava presente com Alan Jones ( 7o ) e Riccardo Patrese ( 8o ).

Jody Scheckter ( Wolf WR3 ) ficou com um discreto nono lugar no grid.

A corrida.

Choveu durante a madrugada.

O Domingo amanheceu sem chuva e a pista, na hora da largada, já estava seca.

Largaram.

Mário Andretti largou muito bem e assumiu a ponta.

James Hunt também fez uma boa largada e grudou na caixa de câmbio da Lotus.



Em seguida, vinham Jochen Mass, Alan Jones, Patrick Depailler, Ronnie Peterson, John Watson, Riccardo Patrese e Jody Scheckter.

Emerson Fittipaldi fez uma péssima largada, perdendo várias posições.

Ele completou a primeira volta em penúltimo lugar, a frente apenas de Alex Dias Ribeiro.

Andretti e Hunt baixavam a bota e disparavam na frente.

Jochen Mass era o terceiro.

Longe dos ponteiros.

Os líderes estabeleceram um ritmo impressionante de corrida, abrindo quase dois segundos por volta para os outros competidores.


Mário Andretti estava soberbo.

James Hunt fazia uma das melhores corridas da sua vida.

Algumas voltas depois, John Watson tentou ultrapassar Peterson e saiu da pista, abandonando.

Jody Scheckter ultrapassou Patrese e Depailler, assumindo o sexto lugar.

Na volta 34, Peterson saiu da corrida.

Scheckter herdou o quinto lugar.

Estávamos na metade da corrida.

Uma bela corrida

As primeiras posições eram de: Andretti, Hunt, Mass, Jones, Scheckter e Patrese.

Mário Andretti e James Hunt, voando na pista, quase tocavam as rodas, tão junto andavam.

Jody Scheckter ultrapassou Jones e assumiu a quarta colocação.

Enquanto isso, Emerson Fittipaldi abandonava a corrida com problemas no motor.



Emerson decidiu não correr no Japão, a última etapa do campeonato, para ter mais tempo de preparação do novo carro.

Inacreditavelmente, Andretti e Hunt deram uma volta em Jody Scheckter, o quarto colocado.

Os dois líderes faziam uma magnífica corrida, deixando os torcedores canadenses em estado de graça.

Faltavam vinte voltas para o final e Andretti se aproximou de Jochen Mass.

O l;ider estava prestes a dar uma volta no terceiro colocado.

Jochen Mass, companheiro de James Hunt, resolveu fazer jogo de equipe e fechou todas as portas para Andretti.

Andretti, preocupado em encontrar uma brecha para ultrapassar Jochen Mass, descuidou-se e foi sobrepujado pôr Hunt.

James Hunt era o novo líder.



Sensacional.

O inglês, eufórico com a condição de líder, errou a tomada da curva 4 e perdeu, momentaneamente, o controle do carro.

Imediatamente, Mass e Andretti foram por dentro para ultrapassar o descontrolado McLaren de Hunt.

Tentando corrigir o carro e, ao mesmo tempo, manter a liderança da corrida, James Hunt trouxe a McLaren de volta a pista e bateu em Jochen Mass.

Um colisão com dois carros da mesma equipe.

As duas McLaren saíram da pista.

Hunt abandonou e Mass, depois de perder muito tempo, retornou a corrida.

Mário Andretti voltava a liderança da corrida.

Tranqüilo.

Sossegado.

Ele tinha uma volta de vantagem para Jody Scheckter, agora em segundo lugar.

Patrick Depailler era o terceiro colocado.



O piloto da Tyrrell P34 não fez nenhuma ultrapassagem durante a prova.

Sua condução, regular e segura, permitiu a conquista de várias posições.

Alan Jones, pilotando um Shadow, iniciou a corrida andando muito forte, perdendo rendimento no final.



Ainda assim, fazia uma boa corrida.

Gilles Villeneuve fez uma corrida opaca e discreta em sua estréia na Ferrari.

Carlos Reutemann também não fez boa corrida.

As Ferrari decepcionaram.

Faltavam três voltas para o final e Mário Andretti rumava para a vitória.



Colin Chapman já estava preparando o boné.

E de repente, não mais que de repente, o motor da Lotus explodiu.

Fim de prova para Andretti.

Foi um crime.

Mário Andretti tinha sido o melhor piloto da corrida.

Jody Scheckter era o novo líder.

O Grande Prêmio do Canadá estava terminando, para a alegria de Walter Wolf, o dono da equipe de Scheckter.

Fim de corrida.



Scheckter venceu e assumiu a vice liderança do campeonato.

Depailler foi o segundo.

Mass chegou em terceiro e Alan Jones em quarto.

Foi uma corrida bonita.

Cheia de alternativas, características que marcaram os melhores anos da fórmula 1.

Foi uma época em que era possível a vitória de um carro chamado Wolf.


Campinas, 15 de novembro de 2001


Claudio Medaglia











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