GRANDE PRÊMIO DA HOLANDA DE 1980


12a Etapa

Zandwoort, 31 de agosto de 1980


Todos concordavam que Zandwoort, um circuito de alta velocidade, era uma pista favorável aos motores turbinados da Renault.
Para contrabalançar, o autódromo situado no nível do mar, permitia um novo fôlego aos motores aspirados.
Nelson Piquet e Hector Rebaque apresentaram uma nova configuração do Brabham BT49, ligeiramente aumentado na distância entre eixos.
Com isso, Gordon Murray conseguiu um deslocamento, para trás, do centro de pressão aerodinâmica.
Todas essas providências possibilitaram a substituição das antigas rodas dianteiras de aro 15 por novas com aro 13, provocando um melhor coeficiente aerodinâmico.
Outra grande novidade foi a estréia do novo McLaren M30, projetado por Gordon Coppuck.
Alain Prost, cada vez mais respeitado na equipe, pilotaria o novo carro enquanto John Watson ficaria com o velho M29B.
Carlo Chitti, finalmente, contratou um piloto para ocupar o segundo carro da Equipe Alfa Romeo.
Desde a morte de Patrick Depailler a Alfa só competia com o carro de Giacomelli.
Optou-se pela volta de Vittorio Brambilla.
O Alfa Romeo 179 trazia uma nova suspensão dianteira.
Por fim, a Michelin trouxe novos pneus para Zandwoort.
Renault e Ferrari depositavam muita confiança nos novos compostos franceses.

Os Treinos.
René Arnoux e Jean Pierre Jabouille, os pilotos da Renault, ignoraram o nível do mar e pulverizaram todos os cronômetros.
Com tempos impressionantes, a Renault ocupou a primeira fila.
Arnoux foi o pole.
Duas Williams dividiam a segunda fila.
Reutemann foi mais rápido que Jones e cravou o terceiro tempo.
Em uma das tentativas para melhorar a sua classificação, Alan Jones perdeu o controle do carro e bateu forte.
O Williams ficou destruído, obrigando o australiano correr com o carro reserva.
Fazendo um bom treino, Nelson Piquet classificou-se em quinto lugar.
Seu companheiro, Hector Rebaque, colocava o outro Brabham na 13a posição.
Os dois pilotos estavam satisfeitos com o carro.
A sexta posição no grid de largada era ocupada pela Ligier de Jacques Laffite.
Surpreendentemente Didier Pironi só conseguiu a 15a colocação.
Pironi demonstrava muita irritação com o desempenho da Ligier.
Apresentando uma discreta melhora, certamente provocada pelos novos pneus Michelin, a Ferrari de Gilles Villeneuve marcou o 7o tempo do treino.
Jody Scheckter, pensando na aposentadoria, ficou com um modesto 12o lugar no grid.
Muitos problemas na Equipe Fittipaldi.
Keke Rosberg bateu forte, danificando bastante o seu carro.
Ele foi obrigado a tentar a qualificação com o velho F7.
Não conseguiu.
Emerson Fittipaldi, com problemas no sistema de freios do seu F8, classificou-se em 21o lugar.

A Corrida.
Domingo. Tempo bom. Pista seca.
Largaram.
Como sempre, Alan Jones fez uma arrancada agressiva e chegou ao fim da reta lado a lado com René Arnoux.
Mesmo estando por fora, Jones retardou a freada e saiu da curva na liderança da corrida.
Outro que fez uma excelente largada foi Jacques Laffite, posicionando-se em terceiro lugar.
Carlos Reutemann era o quarto colocado.
Jean-Pierre Jabouille estava em quinto lugar.
Em sexto, vinha Nelson Piquet.
Depois dele, aparecia a Alfa Romeo de Bruno Giacomelli, seguido por Villeneuve e Scheckter.
Para variar, o câmbio do Brabham de Hector Rebaque quebrou, deixando o mexicano a pé, ainda na primeira volta.
Alan Jones imprimia um ritmo forte.
Na segunda volta, ao sair da Curva Hunzerug, abriu demais, subiu na guia e danificou a saia lateral do Williams.
O australiano parou no box para reparar os danos.
Jones voltou a pista e fez o resto da corrida duas voltas atrás dos primeiros colocados.
René Arnoux era o novo líder.
Em segundo, vinha a Ligier de Jacques Laffite, andando muito forte e partindo para cima de Arnoux.
Depois de várias tentativas, o piloto da Ligier conseguiu passar pela Renault de René Arnoux.
Jacques Laffite liderava.
A torcida holandesa vibrava.
Em poucas voltas a corrida apresentou três líderes.
Enquanto isso, Nelson Piquet ultrapassava Carlos Reutemann.
Com seu estilo impetuoso, o canadense demonstrava que a Ferrari estava melhorando.
Embalado, Gilles Villeneuve ultrapassou Reutemann.
Pela primeira vez nessa temporada, os boxes da Ferrari vibravam, entre abraços e cumprimentos, com a ultrapassagem de Villeneuve sobre Piquet.
Ao mesmo tempo, todos podiam notar a excelente corrida de Bruno Giacomelli.
Com a sua Alfa Romeo rendendo cada vez melhor, o italiano não teve dificuldades para ultrapassar Carlos Reutemann.
As principais posições na corrida eram as seguintes:
1 ) Laffite 2) Arnoux 3) Jabouille
4) Villeneuve 5) Piquet 6) Giacomelli 7) Reutemann
Nelson Piquet estava gostando do rendimento do Brabham e resolveu atacar.
Em bonita manobra, Piquet passou por Villeneuve e ocupou o quarto lugar na corrida.
Na volta seguinte Jean Pierre Jabouille, com problemas na sua Renault, abandonou a corrida.
Nelson Piquet já era o terceiro colocado.
Correndo entre os últimos colocados, Emerson Fittipaldi enfrentava diversos problemas no seu F8.
Já no início da corrida, Emerson precisou parar nos boxes para apertar a carenagem traseira.
O bicampeão voltou para a pista com bastante atraso.
Logo em seguida o F8 passou a apresentar falhas no sistema de freios.
O carro estava muito perigoso e Emerson resolveu abandonar.
Piquet corria muito bem.
Ele diminuía a distância para René Arnoux a olhos vistos.
Piquet encostou.
Arnoux não pretendia entregar facilmente a segunda colocação.
A disputa ficou bonita.
Depois de algumas tentativas Piquet ultrapassa Arnoux e assume o segundo lugar.
O alvo passou a ser Jacques Laffite.
Impecável, Nelson Piquet conseguia ser rápido e seguro.
Ele não derrapava.
Não forçava o carro.
Sua condução era clássica.
Para azar de Laffite, sua Ligier estava saindo um pouco de traseira.
Piquet percebeu.
Ele entrou na reta dos boxes no vácuo da Ligier.
Percorreu toda a reta grudado em Laffite.
No final dela, a Curva Tarzan e a ultrapassagem.
Sensacional.
Nelson Piquet era o líder do Grande Prêmio da Holanda.
O extraordinário desempenho de Piquet não foi suficiente para apagar a notável performance de Bruno Giacomelli.
Brilhante no papel de ator coadjuvante, Giacomelli conquistou o quarto lugar ao ultrapassar Villeneuve.
A Alfa Romeo rendia muito bem.
Aproveitando o bom momento, Giacomelli roubou a terceira posição de Reutemann.
Atrevido, o italiano partiu para cima de Jacques Laffite.
Quando estava se preparando para tomar a segunda colocação, o que seria um feito memorável, Giacomelli empolgou-se, rodou, saiu da pista e abandonou a corrida.
Lá na frente, Piquet liderava tranqüilo.
A corrida estava chegando ao final, quando aconteceu o acidente mais sério da prova.
Derek Daly, ao volante do seu Tyrrell, perdeu o ponto de freada na Curva Tarzan.
A curva fica depois da grande reta, sendo um ponto de redução brutal de velocidade.
Os pilotos reduzem de 280 para 100 km/h.
Daly bateu violentamente na pilha de pneus.
Com o choque, ele foi catapultado para cima.
O Tyrrell decolou, deu dois giros no ar e caiu, espatifando-se.
Derek Daly, completamente tonto, saiu do carro e deitou-se na grama.
Por milagre, nada sofreu.
Nelson Piquet continuava a comandar a corrida.
Jacques Laffite permanecia enfrentando problemas de estabilidade e perdia terreno para René Arnoux.
Com facilidade, Arnoux passou Laffite e conquistou o segundo lugar.
Beneficiados pelas quebras, Jean-Pierre Jarier e Alain Prost terminaram em quinto e sexto, respectivamente.
Piquet recebeu a bandeira quadriculada.
Foi a sua segunda vitória na fórmula 1.
Nelson Piquet diminuiu a diferença que o separava do líder Alan Jones e aumentava as suas chances de ser campeão da temporada.
Foi uma vitória em grande estilo.
A corrida terminou assim:
  1. Piquet

  2. Arnoux

  3. Laffite

  4. Reutemann

  5. Jarier

  6. Prost


O Campeonato, depois do GP da Holanda, ficou assim:
  1. Jones = 47 pontos
  2. Piquet = 45
  3. Reutemann = 33
  4. Laffite = 32
  5. Arnoux = 29
  6. Pironi = 23
  7. Jabouille = 9
  8. Patrese = 7
  9. De Angelis = 7
  10. Daly = 6
  11. Jarier = 6
  12. Emerson = 5
  13. Prost = 5
  14. Rosberg = 4
  15. Mass = 4
  16. Villeneuve = 4
  17. Giacomelli = 4

  18. Watson = 3

  19. Scheckter = 2


Campinas, 7 de outubro de 2003
Cláudio Medaglia
medaglia@globo.com


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