PORFIRIA
A pouco conhecida doença chamada porfiria é na realidade um nome coletivo para sete doenças também pouco conhecidas, identificadas inicialmente durante o século XIX. São doenças tão raras que somente no século XX foram identificadas e descritas. Coletivamente, as porfirias são desordens metabólicas causadas por uma deficiência enzimática que inibe a síntese da heme, cujas formas mais graves são caracterizadas por uma extrema sensibilidade à luz. O nome porfiria vem do grego porphiros, significando vermelho-arroxeado, e se refere a uma substância proeminente no sangue e na urina da pessoa infectada.
Já em 1964, L. Illis, num artigo intitulado "On Porphyria and the Aetiology of Werewolves", sugere que a porfiria poderia ser responsabilizada pelos relatos de lobisomens. Em 1985, David Dolphin, numa tese apresentada à Associação Americana para o Avanço da Ciência, sugeriu que a porfiria poderia estar subjacente aos relatos de Vampiros. Assinalou que um dos tratamentos para a porfiria era a injeção de heme. Dolphin formulou a hipótese de que é possível que pessoas sofrendo de porfiria nos séculos anteriores tentassem beber o sangue de outros como uma maneira de aliviar seus sintomas. A idéia foi recebida com grande publicidade e foi debatida durante um certo tempo.
Entre
os que criticaram a teoria de Dolphin estava Paul Barber. Primeiro,
Barber assinalou que não havia evidência de que beber
sangue teria qualquer efeito sobre os sintomas da doença.
Barber argumentou de forma sucinta que a teoria de Dolphin só
se adequaria se os dados não fossem examinados minuciosamente
e se houvesse pouco respeito pelos poderes de observação
das pessoas fazendo os relatos. Eles não descreviam as pessoas
que tinham os sintomas de porfiria. Muitos se relacionavam à
descrição de cadáveres, não de pessoas
vivas ou fantasmas desencarnados.
A cobertura dada à
hipótese da porfiriana imprensa popular foi um assunto de
grande angústia para muitos pacientes sofrendo do mal. O Los
Angeles Times, por exemplo, deu ampla cobertura ao assunto, assim
como o fizeram os tablóides. O Dr. Jerome Marmorstein, um
médico da Califórnia, convenceu o Times a dar
seguimento à cobertura neutralizando os efeitos de seu artigo
inicial. Norine Dresser, que tinha feito o mais longo relato do
debate, entrou em contato com a Porphyria Foundation e descobriu uma
gama de reações negativas experimentadas pelas pessoas
como resultado da publicidade ligando-as ao vampirismo. Essa angústia
foi intensificada por vários programas de televisão
produzidos sobre a possibilidade de um paciente portador de porfiria
exibir padrões de comportamento vampírico.
O debate sobre a porfiria durou vários anos, mas a hipótese de Dolphin foi totalmente descartada. Não possui exponentes viáveis no momento.
(J. Gordon Melton - O Livro dos Vampiros - A Enciclopédia dos Mortos-Vivos)